domingo, 8 de dezembro de 2013

Os usos pedagógicos da audiodescrição

Mediante utilização da audiodescrição como ferramenta de cunho pedagógico, os educadores inclusivos poderão:

- minimizar ou eliminar as barreiras presentes nos meios de comunicação que se interponham ao acesso à educação, tais como aquelas presentes no acesso a materiais bibliográficos;

- proporcionar que alunos com deficiência visual, com dislexia e outros tenham acesso aos conteúdos escolares, no mesmo tempo em que o restante da turma;

- permitir que todas as ilustrações, imagens, figuras, mapas, desenhos e demais configurações bidimensionais, presentes nos livros didáticos, fichas de exercícios, provas, comunicados aos pais, cartazes, circulares internas etc. também sejam disponibilizados em audiodescrição;

- zelar pela autonomia, empoderamento e independência dos alunos com deficiência visual e outros usuários do recurso;

- atentar para a descrição de objetos que fazem parte do cotidiano escolar, como a disposição do mobiliário da sala de aula, da planta baixa da escola, da distribuição do acervo na biblioteca, dos espaços de recreação e outros ambientes e produtos de uso comum etc.;

- perceber a transversalidade do recurso, por exemplo, ao estimular que, com uso de uma atividade coletiva de audiodescrição, durante uma aula de matemática ou de ciências, os alunos possam desenvolver descrições por escrito, de tal sorte que as informações ali contidas possam ser aproveitadas nas aulas de língua portuguesa;

- considerar a importância de democratizar as informações e conhecimentos construídos em sala de aula para toda a comunidade escolar, oferecendo aquele recurso em exposições, mostras, feiras de ciências, apresentações, reuniões de pais e mestres, encontros pedagógicos, aulas de reforço escolar, excursões temáticas, jogos e olimpíadas esportivas, exibição de filmes e nos demais encontros e atividades cuja educação seja o foco;

- reforçar o respeito pela diversidade humana, praticando e divulgando ações de cunho acessível entre os alunos com e sem deficiência;

- atrair parceiros que possam financiar projetos de acessibilidade na escola e a partir dela;

- criar programas e projetos de voluntariado e monitoria que envolvam o público interno da instituição e a comunidade escolar, a fim de capacitar os interessados na temática da audiodescrição e levar adiante outras iniciativas de acessibilidade;

- promover encontros de formação, reflexão e sensibilização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência para professores, funcionários, gestores, alunos e comunidade, fortalecendo a máxima de que a inclusão só poderá ser construída por intermédio da perpetuação de práticas acessíveis, ou seja, a partir da eliminação de barreiras, tais como as atitudinais e aquelas presentes nos meios de comunicação.

Cientes de que a tarefa de educar na perspectiva inclusiva exige, antes de tudo, a crença irrestrita na capacidade humana de aprender sempre, ainda que em ritmos e de maneiras diferentes, acreditamos que todo educador, atuando em qualquer modalidade da educação básica, seja capaz de incorporar à sua prática docente a utilização de tecnologias assistivas.
 

Descrição e Audiodescrição

A audiodescrição é o recurso que permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinema, teatro e programas de televisão. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial, que encontram-se excluídos da experiência audiovisual e cênica.

A acessibilidadenos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. Os esforços neste sentido visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluída, como também estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade.

“Dizem que uma imagem vale mais do que 1000 palavras, pois bem, a audiodescriçãoé muito mais que as tais 1000 palavras.”

Marco Antonio de Queiroz, cego, autor do site Bengalalegal, em entrevista sobre sua participação como jurado do Festival de Cinema Assim Vivemos 2007.

LINK: https://soundcloud.com/atalho-cultural/estatuto-da-crian-a


Trecho do Roteiro

AD
FRANJINHA DE BRAÇOS ABERTOS E COM UM LIVRO AMARELO NA MÃO ESQUERDA COMUNICA:

Narradora:
- O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

AD
MÕNICA COM O DEDO NA BOCA PERGUNTA CONFUSA:

Narradora:
- ESTATUTO? O QUE É ISSO?

AD
MAGALI DECEPCIONADA:

Narradora:
- JÁ VI QUE NÃO É DE COMER...

AD
FRANJINHA SEGURA O LIVRO COM A MÃO ESQUERDA E DIZ:

Narradora:
- CALMA! EU EXPLICO!

AD
FRANJINHA ABRE O LIVRO E COMEÇA A LER:

Narradora:
- ESTATUTO É UM CONJUNTO DE REGRAS,QUE SÃO AS LEIS, E ESTÁ PREVISTO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988, NO ARTIGO 227, PARA DEFENDER OS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE......É ELE QUE GARANTE AS FACILIDADES E OPORTUNIDADES PARA QUE NÓS CRESÇAMOS COM LIBERDADE E RESPEITO...




Roteiro e Narração: Marisa Pretti e Marcia Oshiro